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O Topo da Montanha com Tais Araujo e Lazaro Ramos

  • O Topo da Montanha faz alusão ao último discurso de Martin Luther King que foi um pastor protestante e ativista político estadunidense, (I’ve Been to the Mountaintop) realizado na Igreja de Mados em Memphis no dia 3 de abril de 1968, um dia antes de seu assassinato na sacada do Hotel Lorraine.

E é exatamente neste cenário, do quarto 306 que Martin Luther King, interpretado por Lázaro Ramos, conhece Camae, encenada por Taís Araújo, a misteriosa e bela camareira em seu primeiro dia de trabalho no estabelecimento.
A peça nos convida a refletir sobre mudanças e soluções na luta contra o racismo, através do envolvimento dos personagens, com uma mistura de humor e emoção, reinventando o último dia do pastor protestante, antes de ser assassinado. A missão da peça também é de passar o bastão da luta aos espectadores, assim como vem sendo através de vários líderes ativista da história do mundo.
No final da peça tivemos um momento de debate, sobre o olhar de cada um a essa realidade de uma sociedade ainda racista, um debate em busca de neutralizar as mágoas e despertar as soluções. Aproveitei a oportunidade e e pude falar o que penso.

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“Existem várias militâncias em prol da mesma luta, porém com linguagens diferentes. É o momento de unificar as línguas , o branco racista não vai deixar de ser racista, porém é importante fazer valer a lei contra todo ato de discriminação racial. O grito nas ruas é importante, porém o foco não é e nem deve ser o homem branco, não temos que provar ao a qualquer raça o que somos, mas devemos dar foco  para o empoderamento do povo negro, com resgate da sua auto estima, da sua identidade, o incentivo à educação e ao empreendedorismo. Reconhecer em nós mesmos o poder de conquistar o nosso espaço, sem pedir permissão a qualquer raça, para isso acontecer. Mas pra isso é preciso unificar as línguas e unir todos os povos negros dos quatro cantos do mundo, negros pobres e negros ricos. Porque um negro será sempre um negro descriminado em qualquer lugar do mundo tendo ele o dinheiro que tiver, ainda mais se ele for minoria. A conquista de um negro na minha humilde opinião, é a conquista de todos os negros, por isso clamamos e nos orgulhamos cada vez mais da nossa representatividade em todas as áreas profissionais. Mas temos que fazer essa representatividade racial gerar desenvolvimento social. Mas para isso é necessário que muitos negros e brancos, deixem de olhar para o próprio umbigo e entender que o problema do outro é seu problema também.” E não temos que esperar apenas do governo uma posição, temos que agir independente de governo. Fortalecer nossas redes de negócios internacionalmente, nos ajudando na construção educaional, cultural, profissional e social.”

Vejo muitos artistas, jogadores e pessoas anônimas engajados em projetos sociais e culturais. O problema é que se não tivermos uma estrutura para dar continuidade ao trabalho social, ficaremos sempre no meio do caminho. Temos que ter uma estrutura social preparada para empregar e valorizar e dar as crianças, aos adolescentes e os adultos assistidos, esse apoio. E essa estrutura também precisa ser formada por negros.
Imaginem profissionais altamente qualificados sendo disputados por empresários negros e brancos. Hoje a maioria das empresas de grande e médio porte, são de empresários brancos. Quando digo que temos que ter uma estrutura preparada para dar oportunidade ao assistido, ao formado e qualificado jovem negro, penso em grandes empresas também dirigidas e administradas por negros, concorrendo com as que já dominam o mercado. Assim ao invés de ficarmos suplicando por uma oportunidade para entrarmos em uma empresa , iremos concorrer com ela, e investir tudo que aprendemos a quem realmente quer, que a gente cresça e apareça. Um ex: modelos negras tem que implorar, se não cair na graça de algum estilista, para vestir e desfilar suas peças. Imaginem um dos mais importantes eventos de moda, produzidos e promovidos por negros e brancos, com grandes estilista da alta costura, negros e brancos … Não teríamos mais que implorar para trabalhar,  porque estaríamos concorrendo a altura. Ainda hoje tudo que consumimos em sua maioria é desenvolvido por brancos, mesmo que tenha sido produzido e criado para negros, e valorizamos tanto isso que contribuímos cada vez mais para sua riqueza e atrasamos a nossa. É hora de resgatarmos o tempo perdido, mas  focando em nós. Temos que criar as nossas oportunidades. E aí enfraquecendo esse racismo que existe por estética e desigualdade social.

Vale muito a pena conferir esse espetáculo transformador. E convido a vocês a  passarem o bastão. Beijinhos

Abaixo fotos com Tais Araújo,Lázaro Ramos  Kéfera Buchmann, Gustavo Stockler,   euzinha Adrianna Ramos e minha filha Paloma Ramos.

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